Quando penso em vampiros, logo penso em seres elegantemente trajados em roupas do fim do século XIX, devido à quantidade gigantesca de filmes que vemos utilizando esse contexto histórico. Portanto, quando surgiu a oportunidade de ir a um baile vampiresco a primeira coisa que pensei é que eu precisava de um vestido de baile vitoriano. Abaixo, detalho como foi o processo de confecção desse traje, bora lá?
Modelo e referências
Eu já tinha um corte de veludo devorê aqui em casa, e os motivos me lembravam muito os do Ironwork Dress, feito em 1898–1900 pela Maison Worth. Como o período se encaixava também o que eu estava buscando esse vestido (primeiro à esquerda) acabou sendo minha referência principal, mas acabei fazendo algumas alterações, como transformar o drapeado do decote em uma pala separada, remover as mangas e diminuir a cauda do vestido.
Molde e corte
Costura e acabamentos
O corpete foi costurado utilizando flatlining pra unir uma camada de sarja no tecido externo, e o forro eu fiz em tricoline, com aplicação de barbatanas em cada costura por meio de viéses. Para unir o forro na parte externa fiz como da mesma forma que seria feito em um colete, costurando direito com direito pelo avesso e desvirando a peça depois. O drapeado de veludo eu cortei direto no manequim com a técnica de moulage e utilizando fitas de cetim para manter o drapeado no centro do decote. As costas do corpete são fechadas com ilhóses e uma fita de cetim.
A saia possui uma construção mais simples, com os paineis unidos com costura francesa tanto no forro quanto no tecido externo, e barra também é comum. Atrás a saia tem algumas pregas (nessa parte costurei forro e tecido externo junto) como seria típico na época o fecho é por botão com uma vista com colchetes. Na parte do forro coloquei um laço de fita de cetim em um ponto estratégico, pegando também o tecido externo, para poder puxar a cauda do vestido e facilitar para caminhar.
Resultado final:
E habemos um vestido de baile! Eu gostei muito desse traje cheguei a usar ele algumas vezes já, haha. O que eu faria de diferente numa próxima vez é deixar uma margem de costura maior devido à fragilidade do tecido, porque ele desfia muito e em alguns pontos acabou soltando um pouco o tecido externo conforme fui usando. Hoje em dia (escrevo esse post 3 anos após costurar esse traje) eu também faria o acabamento do corpete diferente, utilizando understiching. Mas num geral é uma peça que gostei de ter feito e me deu mais vontade ainda de fazer outros trajes de baile, quem sabe num futuro próximo?
Agradeço a leitura e espero que tenham gostado do post!
Principais referências:
Costume in Detail Women's Dress 1730-1930, Nancy Bradfield
Evening Dress, Met Museum
The Keystone Jacket and Dress Cutter
The Making of the Ironwork Gown, Redthreaded








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