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terça-feira, 24 de março de 2020

Por onde começar minha pesquisa sobre história da moda?

    


    Frequentemente me pedem indicações de livros sobre história da moda ou para recriação histórica, e depois de tanto passar essas informações por mensagens, resolvi reunir aqui os meus preferidos para quem quer fazer trajes históricos, estudar sobre história da moda e coisas afins. São obras que eu vivo consultando, seja para as pesquisas que faço aqui pros artigos do blog ou para confeccionar meus trajes. Deixo também o link* de onde encontrar esses livros para comprar ou baixar. Trago primeiramente livros mais abrangentes para quem está está procurando títulos para começar a se aventurar e ao final livros mais específicos, para os que gostam de esmiuçar determinados temas. Essa lista estará em constante atualização, viu?


A Roupa e a Moda - James Laver 

   É uma boa pedida pra quem tá começando pois, como o próprio subtítulo diz, é uma história concisa. Nele você vai encontrar descrições das principais silhuetas ao longo da história, de forma prática e ilustrada. A escrita também é agradável e não é excessivamente vaga, apesar de ser mais generalista. Pode ser encontrado aqui

Moda: uma filosofia - Lars Svendsen 


    Esse é para aqueles se interessam mais pelo campo da história social da moda. Lars é um filósofo que apresenta um panorama da história da moda relacionando-a com linguagem, corpo, arte, consumo e outros. Uma obra interessantíssimas para repensar a moda para além de simplesmente peças de roupas. Pra quem quiser conhecer mais, trouxe alguns comentários nesse post aqui no blog.Também pode ser comprado em edições físicas e cópias virtuais

História do Vestuário no Ocidente - François Boucher 

    Com cerca de 500 páginas coloridas num formato A4, é definitivamente um dos livros mais completos sobre o assunto, e trata desde o que ainda chamamos de indumentária, lá na antiguidade, até a moda das passarelas da década de 1980. Outro ponto interessante é a apresentação dos estilos em variadas regiões de forma individual, ao invés de generalizar toda a Europa, por exemplo. Por ser da finada Cosac Naify é uma edição esgotada, mas encontram-se cópias usadas na Estante Virtual e Amazon

Patterns of fashion - Janet Arnold 



    Para você que busca acurácia história essa série de livros é um prato cheio! Nele além de moldes - traçados a partir de peças de museus - desenhados em escala, são apresentados descrições dos materiais utilizados nos modelos e desenhos mostrando detalhes da parte interna e acabamentos utilizados. As edições que recomendo são a número 1 (1660-1860)2 (18860-1940) e 3 (1560-1620)

The cut of woman's clothes - Norah Waugh 

   Uma opção mais generalista para reconstrução histórica, nele são apresentados breves descrições da moda do período, materiais utilizados e molde das roupas, tiradas a partir de peças de museus, abrangendo as silhuetas entre 1600 e 1900s. É um dos livros que sempre dou uma consultada em minhas pesquisas. Pode ser encontrado aqui.Também existe a versão masculina, a The cut of men's clothes

História do Vestuário - Carl Kohler

    Um dos únicos dessa lista que aborda a antiguidade, também trás diagramas de algumas peças, além de extensas descrições sobre os estilos usados por homens e mulheres em diversos lugares. Não é o que mais utilizo, mas definitivamente recomendaria pare se ter à mão. Para quem quiser a cópia física em português, pode encontrá-la aqui, mas a versão em pdf também está disponível de forma gratuita aqui, em inglês.

The History of Underclothes
- C. Willett Cunnington


    É sabido que um traje histórico é construído de dentro pra fora, e estudar as peças de baixo que formam a estrutura e silhuetas das roupas é essencial pra isso. Para quem quer se aprofundar mais no assunto, The History of Underclothes é uma ótima opção. O que me chama a atenção é que além de traçar uma linha do tempo do que era utilizado, é descrito como essas peças realçavam determinadas partes do corpo, visto que o interesse mudava conforme a época. Em cópias físicas e digitais.

Costume in detail - Nancy Bradfield
    Um dos livros mais novos em minha coleção, mas já considero um dos favoritos e super indico! Ele é bem direto: Ilustrações e descrições breves das roupas femininas entre 1760 e 1930. O que eu adoro nele são as medidas de alguns detalhes das peças, os desenhos das peças internas...um prato cheio para quem quer reconstruir roupas de outras épocas da forma mais historicamente correta possível. 

Tecidos: história, tramas, tipos e usos - Dinah Maria Pezzolo

    Para quem quer costurar, um entendimento dos tecidos é essencial, e essa é uma ótima opção para saber mais sobre o assunto. Gosto de como ele aborda tanto a história de cada fibra e como ela foi utilizada ao longo da história e trás também as principais características de cada um deles e como utilizá-los. Pode ser comprado na Amazon, mas caso você seja ex-aluno Senac o site da editora oferece um desconto. 


18th Century Dressmaking - Lauren Stowell e Abby Cox

    Entrando no campo dos livros mais específicos, esse trata só sobre técnicas de costura do século XVIII. Traz diagramas e processo de construção de vários trajes e acessórios, não só no estilo da alta sociedade francesa mas abordando outras classes sociais e nacionalidades. Lauren e Abby são figurinhas conhecidas na comunidade de recriação histórica e sabem do que estão falando. Em cópias digitais e físicas

How to be a Victorian - Ruth Goodman



    Esse aqui é um pouco mais teórico, o foco dele é mostrar como era o dia a dia das pessoas durante a era vitoriana, escrito pela  Ruth Goodman, que é uma especialista em recriação histórica. Entre os assuntos abordados estão desde passatempos, atividades cotidianas até questões bem específica sobre sexo e festividades, por exemplo. Em relação à moda, encontram-se descrições sobre o processo de se vestir e o tipo de roupa que era utilizado em cada ocasião. Uma boa pedida para os que gostam da Era Vitoriana e querem conhecer mais a fundo. É possível encontrá-lo em e-book e em versão física

Para vestir a cena contemporânea - Século XVIII - Fausto Viana e Isabel C. Italiano


    Ainda sobre século XVIII, o livro de Fausto e Isabel é uma ótima opção em língua portuguesa. Trás tanto a pesquisa e descrições sobre os diversos estilos da época como também questões mais técnicas de costura, abordando trajes femininos e masculinos. Com imagens detalhadas de como costurar cada uma das peças e também diagramas de moldes, a melhor parte é: está disponível gratuitamente em PDF. Para acessar só clicar aqui

The Medieval Tailor's Assistant - Sarah Thursfield 

    Para os que querem se aventurar pela idade média, esse livro conta com mais de duzentas páginas sobre técnicas de costura e acabamento e moldes de diversas roupas e acessórios utilizados por homens e mulheres durante a era medieval,além de extensas descrições sobre a moda da época .Compensa comprar a versão digital aqui

The Tudor Tailor - Ninya Mikhaila e Jane Malcolm-Davies



    Na mesma linha, de livros escritos por especialistas em reconstrução histórica temos o The Tudor Taylor, que trata especificamente sobre as técnicas de costura do período Tudor, que aconteceu entre 1485 e 1603 na Inglaterra. O livro mostra diagrama e técnicas de costura de peças de baixo até mesmo acessórios, abordando várias classes sociais e os dois gêneros. Disponível aqui

    Bom, esses são os principais livros que eu indico, dentre as inúmeras opções para quem pesquisa esses assuntos. Mas ainda assim caso queria tirar alguma dúvida em sua pesquisa e acha que eu posso te ajudar com indicação de alguma bibliografia não hesite em me contatar no julianalopesmf@gmail.com

    Até a próxima! 

Leitura recomendada: 

Como começar na recriação histórica

*parte dos links são afiliados, o que significa que eu ganho uma pequena comissão na compra. Você não paga nada a mais por isso e me ajuda a continuar criando conteúdo de qualidade. Garanto que só indiquei livros que realmente uso e sempre falei sobre.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Frankenstein e 200 anos de ficção científica

 

    Aos moldes do post que fiz anteriormente (Clássicos de horror e mistério do século XIX), nesse trago mais indicações de clássicos da literatura, dessa vez abordando outro gênero pelo qual eu sou apaixonada: a ficção científica. 

    Esse gênero literário tem uma origem curiosa: Ele foi inventado por uma moça em um desafio, em apenas uma noite! Mary Shelley estava em uma reunião na casa de Lord Byron com seu marido, e em determinado ponto da noite Byron desafiou seus convidados a escreverem uma história de horror. Shelley levou bem a sério o desafio e escreveu o conto que daria origem a Frankenstein - Ou o Prometeu moderno. Ela aproveitou avanços na medicina da época para escrever sua história e assim surgiu o que hoje chamamos de ficção científica. 

    De lá pra cá muitos títulos seguindo os mesmos preceitos foram lançados. Resolvi montar uma brevíssima linha do tempo com alguns livros marcantes de várias décadas diferentes ao longo desses dois séculos, que considero clássicos da ficção científica indispensáveis pra quem é fã do gênero.

1818 - Frankenstein

Ilustração por Bernie Wrightson

    A história de Frankenstein - Ou O Prometeu moderno é narrada por Dr. Victor Frankenstein, um estudante incrivelmente talentoso obcecado em dominar a natureza e ser capaz de criar vida. Victor tem êxito em seu projeto e abandona a sua criatura no mesmo instante devido ao horror que sente por ela. Desde então vemos os terríveis acontecimentos que surgiram em consequência desse ato. Ao contrário do que possa parecer pela premissa, a atmosfera de horror não tem como base simplesmente a presença de um monstro na história, mas sim o tormento que criador e criatura sofrem, na expectativa de que um dia possam acertar as contas.  

    Frankenstein é um livro que aborda discussões sobre os limites da ciência e a ambiguidade nos conceitos de bem e mal, herói e vilão. Um livro sobre monstro que fala principalmente de sentimentos humanos. Na minha opinião o maior trinfo da história é a melancolia que transparece e nos faz refletir sobre o que realmente define um monstro.

1895 - The time machine

    Novela escrita por H. G. Wells, acredita-se ser a primeira obra de ficção científica que trata da viagem no tempo por uso de uma máquina. Na história, o personagem principal - chamado apenas de Time Traveler - consegue inventar uma máquina que o transporta para a quarta dimensão, a dimensão do tempo. É a partir que se inicia a sua aventura, a adaptação de um viajante a um mundo bem diferente do seu. É uma das obras mais famosas de H. G. Wells e influenciou várias outras que vieram depois. 

1932 - Admirável mundo novo

    Além de um clássico da ficção científica, Admirável Mundo Novo também figura em listas de distopias clássicas. No futuro imaginado por Aldous Huxley, a sociedade está estruturada em castas, com diversos avanços tecnológicos relacionados a reprodução e controle das emoções. Em contraponto a essa sociedade existe uma espécie de reserva onde pessoas vivem aos moldes do passado, que são chamados de selvagens. Insatisfeito com o mundo em que vive Bernard Marx passa a se aproximar de selvagens e questionar se o modelo de sociedade em que vive realmente é o ideal. 

1950 - Eu, Robô 

Ilustração por Mark Zug

    O livro é composto por vários contos que não estão diretamente ligados, mas são apresentados em ordem cronológica e se passam no mesmo universo futurístico. Nele, robôs já fazem parte do dia a dia da humanidade, o que pode ser uma comodidade e também um perigo. Apesar de não ter sido o primeiro livro sobre robôs, Eu, Robô é um dos livros mais importantes sobre o assunto e as leis da robótica propostas por Isaac Asimov são seguidas por vários outros escritores até hoje. 

1968 - Androids sonham com ovelhas elétricas?

    Outra grande distopia, Androids sonham com ovelhas elétricas? se passa na pós apocalíptica São Francisco de 2021, onde Rick Deckard trabalha como caçador de recompensas. Por causa de gases tóxicos que poluem a Terra (causados por desastres nucelares) a maioria dos humanos migraram para outros planetas, ficando no planeta o que seria considerado a escória da sociedade, pessoas que não são inteligentes o suficiente, caçadores de recompensas, androides disfarçados. Mas o livro não foca nesse futuro distópico mas sim no dilema moral de Rick, que precisa exterminar robôs tão avançados que a diferença deles para os seres humanos são extremamente sutis. 

1985 - Ender's game

    Por vezes classificada como uma ficção científica militar, o livro foi escrito por Orson Scott Card. O ponto de partida da história é o conflito entre uma raça alienígena - os Formics, e os humanos. Num futuro sem data especificada, a Terra foi invadida por uma raça alienígena que no passado deixou vários danos ao planeta. Desde então, crianças são enviadas para centros de treinamentos físicos e psicológicos para que a humanidade esteja apta a se defender de uma próxima invasão. Entre essas crianças está Ender, que ainda que seja considerada uma criança indisciplinada é extremamente inteligente e se destaca na escola de combate. Apesar da polêmica sobre a violência  no livro, ele foi bem recebido pela crítica e inclusive foi leitura sugerida de agências militares. 


1990 - Jurassic Park 

Ilustração por Mark Englert

    Talvez uma obra que dispense apresentações, Jurassic Park definitivamente foi um marco na ficção científica contemporânea. Usando a manipulação genética e descobertas sobre DNA como plano de fundo para seu thriller Michael Crichton trouxe dinossauros de volta à vida em uma espécie de parque temático. Não há como medir a influencia desse livro, que fez com o que interesse em dinossauros crescesse de forma exponencial e que inspira não só outras obras da ficção mas  também cientistas que tentam recriar o que Crichton imaginou. 


    Seria impossível resumir séculos de produção literárias em apenas um post, e cada uma dessas obras certamente poderia ser explorada em textos mais detalhados, mas a ideia aqui foi apresentar um panorama e indicar obras que eu gostei ou considero interessantes, por apresentarem a ficção científica de diversos pontos de vistas. Espero que tenham gostado. Apesar de não ser um tema muito frequente, eu realmente adoro escrever sobre literatura e ainda pretendo abordar o tema outras vezes por aqui. 

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Livro: O lar da Srta Peregrine para crianças peculiares

    Voltando com as resenhas de livros, o comentado dessa vez será O lar da Srta Peregrine para crianças peculiares, escrito por Ranson Riggs e lançado em 2011. Talvez a escolha pareça um tanto off-topic para o blog por ser uma fantasia juvenil, mas ele envolve algumas coisas que eu adoro: fotografias antigas e um quê de horror muito interessante.



"Era como se a constância da vida deles ali, os dias sem mudanças, aquele verão perpétuo e imortal, tivesse prendido suas emoções como fizera com seus corpos, selando-os em juventude como Peter Pan e seus Meninos Perdidos." 

     A história é contada a partir do ponto de vista de Jacob Portman, um garoto americano de 16 anos que vem de uma família abastada. Seu avô tinha uma coleção de fotos excêntricas e sempre contava várias histórias sobre crianças com habilidades sobrenaturais que viviam sobre a tutela de uma mulher que podia controlar o tempo e se transformar em ave. Apesar de fantasiosas Jacob sempre acreditou nessas histórias, por mais que isso causasse conflitos com seus pais .

   Até que seu avô é morto de uma forma brutal, e Jacob vê que o culpado foi uma criatura monstruosa (que depois descobrimos ser um etéreo, seres sobrenaturais que foram corrompidos), todos acham que Jacob está louco e ele começa a se consultar com uma psiquiátra, que sugere como forma de tratamento que ele vá até a ilha da qual seu avô falava, para poder confrontar a realidade com a fantasia e começar a aceitar melhor a morte de seu avô. 

     O que acontece quando Jacob chega a essa ilha é justamente o contrário, ele descobre que o Lar da Srta Peregrine é real e passa então a se envolver cada vez mais com seus moradores, o que inclui enfrentar inimigos em comum.

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    Ranson Riggs leva o conceito de livro ilustrado para outro nível. Em O lar da Srta Peregrine para crianças peculiares as imagens são tão importantes quanto o texto. O autor costurou uma história em volta das fotos curiosas que ia encontrando. Boa parte são de sua coleção pessoal e as imagens são autênticas, e saber disso me causou um impacto ainda maior.

    A leitura é bem envolvente, realmente é daqueles livros difíceis de largar. A narrativa muitas vezes pende pro horror, com essa clima de mistério e sobrenatural envolvendo as fotografias e alguns personagens. A obra é considerada como dark fantasy.

Cidade dos Etéreos e Biblioteca de Almas

"Não tem a ver com destino. Acho que existe um equilíbrio no mundo, e as vezes forças que não compreendemos intervêm, botando mais peso no lado certo da balança."

    No segundo livro somos imergidos ainda mais no mundo dos peculiares, e podemos acompanhar também o desenvolvimento de vários personagens. O ritmo é mais rápido pela busca que Jacob precisa fazer junto de seus amigos. 

    Apesar de ter me decepcionado um pouco com o fato de as fotografias no terceiro livro não serem tão protagonistas, ainda assim considero um ótimo livro! Minha única ressalva é o fato de eu ter tido a impressão de que o autor optou por algumas soluções 'fáceis' para que seus personagens conseguissem lidar com os conflitos do clímax, de qualquer maneira, fiquei bem satisfeita com o desfecho.


    O lar da Srta Peregrine para crianças peculiares é uma série que assim que você termina de ler sente saudades dos personagens. Para mim o seu maior triunfo é essa experiência de leitura incrível. É uma coleção bem singular e eu confesso que achei bem marcante. 

     Espero que tenham gostado do post e se interessado pelos livros! 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Moda: uma filosofia. Notas sobre história, identidade e consumo.

    Unir moda e filosofia parece estranho num primeiro momento, mas afinal porque não? Moda é um campo interessantíssimo e seu estudo pode fazer com a gente reflita sobre diversos assuntos, mesmo que a princípio eles pareçam distantes. Sendo assim, compartilho aqui algumas anotações e pontos importantes de Moda: uma filosofia, escrito por Lars Svendsen.


"Uma compreensão da moda deveria contribuir, portanto, para uma compreensão de nós mesmos e da nossa maneira de agir." p.7

    O estudo da moda por si só não é suficiente para entender o mundo, claro. Ainda assim, esse é um assunto que muitas vezes deixado de lado por estudiosos por ser considerado algo fútil, relacionado apenas a um consumismo vazio. 

    Mas apesar disso, as roupas são uma parte vital da construção social do eu, à medida que a identidade também é algo que você escolhe como consumidor, e seu estudo pode contribuir muito na nossa compreensão de como a sociedade funciona. 

Afinal o que é moda?

    Antes do renascimento, o vestuário não mudava com muita ao longo dos anos, ricos e pobres usavam roupas semelhantes e a diferenciação ocorria mais por meio dos ornamentos. Então o que temos é o que teóricos chamam de indumentária. É a partir do renascimento, com o desenvolvimento do comércio que detalhes como decotes, tecidos e e ornamentos começam a mudar com frequência e sem razão aparente. A silhueta não mais acompanhava o formato do corpo e a partir daí que surge o que hoje chamamos de moda. 

 "A moda só se configura quando a mudança é buscada por si mesma, e ocorre de maneira relativamente frequente." p.24 

Sobre identidade:  

    Existe um vínculo muito forte entre moda e identidade, elas fazem parte da construção do 'eu'. Nossas roupas reescrevem nosso corpo e grande parte nossa percepção sobre uma pessoa depende do que a está cobrindo.

    Moda não se aplica apenas às roupas, ela é um mecanismo social aplicado a diversas áreas, sendo que usamos moda como sinônimo daquilo que está sendo amplamente usado e, principalmente, daquilo que é passageiro. 

    "A moda é irracional no sentido de que busca a mudança pela mudança, não para 'aperfeiçoar' o objeto, tornando-o, por exemplo, mais funcional." p.30 Estas muitas vezes são superficiais como o número de botões em um paletó, comprimentos de saia, uma cor... é o apelo da mudança pela mudança. Certamente existem roupas que possuem significado para grupos específicos onde os membros são capazes de identificar os códigos, mas essa não é a regra. Também podemos afirmar que nossas escolhas em consumo também constituem parte da nossa identidade. 

Relação entre identidade e consumo:

"O capitalismo só pode funcionar enquanto o consumidor continuar comprando novos produtos, e o consumidor romântico depende de um influxo constante desses novos produtos porque nenhum deles satisfaz o seu desejo." p.131 

    É praticamente impossível medir a quantidade de mercadorias em circulação e o quanto o consumo está presente em nossa vida. Estamos a todo tempo consumindo serviços e mercadorias para satisfazer nossos desejos e necessidades. Moda é uma área que está diretamente ligada ao consumo , mas para que possamos consumir uma peça de roupa existe antes uma cadeia extensa, que engloba desde a plantação de fibras, indústria química e têxtil, confecção, e estratégias de marketing e publicidade para vendê-la. E poucas áreas focam tanto em encantar o cliente e estimular o consumo quanto moda.

    No entanto, o consumo também está ligado à expressão da individualidade. Não é como se a indústria da moda ditasse de forma universal o que será consumido e usado, os consumidores finais aprovam e desaprovam propostas e compram o que lhes agrada. "Nunca foi verdade que os consumidores simplesmente se permitem ser comandados pela indústria da moda" p.133. Mesmo aqueles que escolhem deliberadamente usar coisas tidas como 'fora de moda' estão sob sua influência, pelo simples fato de nega-las. 

    Acredito ser inegável não apenas a influência da moda em nossas vidas, mas como sua relação com o consumo constitui uma parcela expressiva do mercado e economia. Algo tão presente na nossa vida e cotidiano é digno de atenção, não? Pensando nisso resolvi trazer pro blog textos que tratem a moda não apenas de um ponto de vista histórico, como de costume, mas falando sobre aspectos variados que considero interessantes.

    Espero que tenha sido interessante para vocês também. Apenas pontuei algumas das coisas ditas por Lars, mas o livro inteiro é interessantíssimo e super recomendo a leitura. 

Referências:

SVENDSEN, Lars. Moda: uma filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2010

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Clássicos de horror e mistério do século XIX

     Se tem algo que eu gosto bastante é de ler clássicos da literatura. Saber a história original por trás de adaptações, conhecer obras que inspiraram autores que admiro...ver o que tem de interessante em histórias que mesmo depois de séculos ainda são populares e se tornaram referência. Dentre eles, gosto bastante clássicos de fantasia, mistério e horror e já li vários desse gênero. Trago aqui uma lista com meus favoritos para apresentar e comentar com vocês.

Drácula

     Como falar sobre clássicos de horror sem citar Drácula (Bram Stoker, 1897)? Apesar de ser um livro que dispensa apresentações, faço uma breve: se trata de um compilado de cartas, diários e recortes de jornais que juntos contam a história de Drácula e sua presença na vida de várias pessoas e em vários lugares da Europa; personagens que estão praticamente à mercê de um ser invencível e aparentemente onipresente. É provavelmente o livro de vampiro mais conhecido e consolidou a mitologia dos mesmos com muitas características que são utilizadas até hoje por autores do gênero. Bram Stoker é um exemplo na construção de mistério e várias vezes me peguei apreensiva com o desenvolvimento do enredo mesmo já conhecendo o final por conta das adaptações. Aliás, mesmo que você já conheça a história, Drácula é um livro que vale a pena a leitura pela forma única intrigante como ela é contada na escrita. 

Frankenstein

"O que eu desejava eram o segredos do céu e da terra; e quer me ocupasse da substância das coisas, quer do íntimo espírito da natureza e da misteriosa alma do homem, minhas investigações sempre se voltavam para os segredos metafísicos ou, no sentido mais amplo do termo, físicos do mundo."

    A história de Frankestein - Ou O Prometeu moderno (Mary Shelley, 1818) é narrada por Dr. Victor Frankenstein, um estudante incrivelmente talentoso obcecado em dominar a natureza e ser capaz de criar vida. Victor tem êxito em seu projeto e abandona a sua criatura no mesmo instante devido ao horror que sente por ela. Desde então vemos os terríveis acontecimentos que surgiram em consequência desse ato. Ao contrário do que possa parecer pela premissa, a atmosfera de horror não tem como base simplesmente a presença de um monstro na história, mas sim o tormento que criador e criatura sofrem, na expectativa de que um dia possam acertar as contas. Mary Shelley foi pioneira da ficção científica e seus personagens são muito bem escritos. Frankenstein é um livro que aborda discussões sobre os limites da ciência e a ambiguidade nos conceitos de bem e mal, herói e vilão.  Um livro sobre monstro que fala principalmente de sentimentos humanos. Na minha opinião o maior trinfo do livro é a melancolia que transparece e nos faz refletir sobre o que realmente define um monstro.

O médico e o monstro


"Percebi que, das duas naturezas que contendiam no campo da minha consciência, mesmo se eu pudesse ser reconhecido como uma delas, isso só seria possível porque eu era radicalmente ambas."

    Mais um caso de uma história que foi amplamente adaptada mas cujo material original vale muito a pena ser lido. Em O Médico e o Monstro (Robert Louis Stevenson, 1886) acompanhamos as investigações de um amigo e advogado de Henry Jekyll - um médico respeitável-  que deixa Mr. Hyde - um homem odioso que causa estranhamento a todos que o conhecem - como seu principal beneficiário em seu testamento. Uma história de mistério com elementos de horror e ficção científica, O médico e o Monstro foi um grande sucesso à sua época e continua sendo referenciado em várias obras até hoje.

Edgar Allan Poe

    Ao contrário dos outros itens da lista, cito aqui um autor ao invés de uma obra específica. Faço essa exceção porque boa parte das obras de Poe tinham como temática o horror e sobrenatural. É impossível criar uma lista dessa temática sem citá-lo. Deixou uma vasta obra composta principalmente de contos e poemas que tratavam do sobrenatural, horror, morte e loucura. Mas também existem contos de mistérios com detetives que influenciaram até mesmo Conan Dyle. Voltando ao horror, recomendo principalmente: O gato preto, O coração delatante, e O poço e o pendulo.

Carmilla



    Décadas antes de Drácula existia Carmilla, uma novela escrita por Sheridan Le Fanu (1872) que inclusive inspirou Bram Stoker em sua obra. O livro começa com a descrição de uma família composta apenas por Laura e seu pai que vivem em um castelo isolado na longínqua Estíria. Em meio a um passeio presenciaram um acidente com uma carruagem em que viajava uma moça e sua mãe. Vendo a gravidade dos ferimentos, o pai de Laura oferece hospedagem para que a garota possa se recuperar em sua casa ao mesmo tempo que faz companhia para a sua filha que estava solitária. Carmilla é uma garota descrita como bela porém lânguida e extremamente misteriosa, e que aos poucos conquista e encanta Laura cada vez mais. Um outro clássico em histórias de vampiro e do romance gótico, Carmilla apresenta os mistérios característicos desse tipo de história e também é uma obra que chama atenção por apresentar (mesmo que de uma forma sutil) um romance entre duas mulheres.

O homem de areia

    Esse conto (de E.T.A Roffmann, 1816) que começa de forma epistolar acompanha a história de Nataniel desde a sua infância, quando ele acha que um amigo de seu pai chamado Coppelius é o Homem de Areia, uma pessoa má que arranca os olhos das crianças, até a sua vida adulta quando ele viaja em função de seus estudos e conhece o Coppola, que se assemelha muito ao odioso Coppelius e acaba deixando-o perturbado. Em meio a tudo isso Nataniel conhece Olímpia, uma moça misteriosa e calada que abala seu coração mesmo ele estando noivo de Clara. O que eu mais gosto nesse conto é a atmosfera de terror que vai aumentando à medida que a lucidez de Nataniel começa a oscilar, até que chega um momento em que você não sabe em qual ponto de vista acreditar.

Menção honrosa: Penny Dreadful


    Para quem gosta de clássicos de horror e mistério vitorianos Penny Dreadful é um prato cheio! A história é principalmente sobre Vanessa Ives, que busca ajuda de homens habilidosos para encontrar sua amiga Mina, que sumiu de forma misteriosa. A série que foi concluída em 3 temporadas toca em assuntos como religião, sexualidade, sobrenatural...a atmosfera de horror e mistério está sempre presente. Mas a cito aqui principalmente porque entre os personagens da série estão Dorian Gray, Van Hellsing, Frankenstein, Dr. Jekyll, Drácula...entre outros que fazem parte de clássicos de horror vitorianos. Aliás o próprio nome da série faz referência a esse tipo de história, Penny Dreadful eram histórias curtas vendidas a um preço barato durante a Inglaterra vitoriana.

E você? Já leu algum desses títulos? Qual livro acrescentaria à lista?  

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Faça boa arte (Neil Gaiman)

"O marido fugiu com uma política(o)? Faça boa arte. Perna esmagada e depois devorada por uma jibóia mutante? Faça boa arte. IR te rastreando? Faça boa arte. Gato explodiu? Faça boa arte. Alguém na internet pensa que o que você faz é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Faça boa arte. Provavelmente as coisas se resolverão de algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não importa. Faça apenas o que você faz de melhor. Faça boa arte."


"Se você está cometendo erros significa que você está por aí fazendo alguma coisa"

    Em 2012 Neil Gaiman deu um discurso em uma universidade de arte dos EUA. Posteriormente a transcrição desse discurso foi transformada em livro e publicada. O discurso motivacional é dirigido a futuros escritores, músicos, fotógrafos, dançarinos, freelancers, designers...enfim, para qualquer pessoa que deseja criar algo e viver disso. Fazer arte.

    Gaiman inicia dizendo que não  passou pela universidade, que sequer tinha um plano de carreira. Mas que resolveu contar aos estudantes tudo o que gostaria que tivessem contado pra ele no início, dar bons conselhos que ele próprio recebeu.

    O livro é incrível! Achei verdadeiramente inspirador e me fez pensar em muitas coisas, já que enquanto lia conseguia relacionar o que ele dizia com coisas do meu cotidiano e situações que observei pessoas que conheço ou admiro passando. Então vou aproveitar o espaço para compartilhar também algumas reflexões minhas enquanto apresento os assuntos que foram abordados dentro dos 6 conselhos (ou capítulos) do livro. 

01. Quando você começa em uma carreira nas artes você não tem ideia do que está fazendo.

    Não é necessário se apegar a regras e manuais, pelo contrário. Muitas vezes essas regras apenas impõem limites que seriam facilmente ultrapassados se você simplesmente não soubesse que eles existiam.

02. Se você tem uma ideia do que você quer fazer, sobre o que você foi colocado aqui para fazer, então simplesmente vá e faça aquilo.

    Gaiman exemplifica dizendo que começar como jornalista foi o caminho que ele encontrou para se tornar um escritor, que era seu grande sonho. Esses caminhos nem sempre estão claros, e talvez você não saiba se está fazendo a coisa certa. Mas o importante é ter uma meta, saber onde você quer estar, e cuidar para saber se o que você está fazendo no momento está te levando em direção aos seus objetivos ou não.

03. Quando você começa, você precisa lidar com os problemas do fracasso.

    Nem tudo que você faz vai dar certo. E estar preparado pra isso é necessário, porque assim você evita a ansiedade, desespero e desencorajamento que o fracasso pode trazer. Muitos artistas que hoje são considerados bem sucedidos tiveram muitas dificuldades no início da carreira (a própria J. K. Rowling foi rejeitada por diversas editoras até conseguir publicar Harry Potter). 

    Também é importante não aceitar um trabalho apenas pelo dinheiro "Se você não ganha o dinheiro, então você não tem nada". Curtir o trabalho em si e tirar algum ensinamento dele torna-o mais valioso que o valor que você vai receber em dinheiro. 

    Existem ainda os problemas do sucesso, que envolvem principalmente em não aproveitá-los direito porque você está preocupado demais com o processo e pressões externas pra apreciar o resultado.

04. Eu espero que vocês cometam erros. Se vocês estão cometendo erros, significa que vocês estão por aí fazendo algo.

    Esses erros inclusive podem dar ideias para coisas novas, resultar em algo produtivo. Fazer arte acaba sendo uma válvula de escape para momentos da vida que não estão sendo bons. Então quando tudo estiver dando errado, faça boa arte.

"Então escreva, desenha, construa, toque, dance e viva como apenas você pode fazer."

05. Enquanto estiverem nisso, façam a sua arte. Façam as coisas que só vocês podem fazer.

    Mesmo que no início o que você faz é apenas uma mistura de tudo o que você já viu e guardou como referência, você logo vai descobrir a sua própria voz, se continuar praticando. Treine e experimente até criar aquilo que só você pode fazer. Até que você consiga colocar a sua alma em forma de arte. Você acaba aprendendo com as obras que dão certo tanto quanto aprende com aquelas que não funcionaram direito.

06. E por fim, o melhor conselho que Gaiman já recebeu.

    Ele veio do Stephen King, que no auge do sucesso de Sandman disse: "Isso é realmente ótimo. Você deveria apreciar isso". King falava sobre aproveitar a parte boa de tudo isso, de olhar ao redor e apreciar o fato de as pessoas estarem reconhecendo seu trabalho. Não adianta apenas se preocupar com os próximos passos a serem dados se você não para pra pensar em onde está agora.

    O mundo está mudando, inclusive as formas de se trabalhar estão mudando. Vemos por aí profissões que não existiam 5 anos atrás, e também plataformas completamente novas pra compartilhar informações. As regras estão sempre mudando então é necessário que você crie suas próprias regras.

"E agora vão, e cometam erros interessantes, cometam erros maravilhosos, façam erros gloriosos e fantásticos. Quebrem regras. Façam do mundo um lugar mais interessante por vocês estarem aqui. Façam boa arte."

    O livro está disponível em diversas livrarias em ebook ou livro físico. Mas você também pode assistir ao discurso original no Youtube ou ler a transcrição dele aqui

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Recriação histórica: Bloomingdale's illustrated 1886 catalog



Bloomingdale era uma loja de departamentos popular em Nova York, fundada em 1872. Entre seus departamentos estava roupas (femininas, masculinas e infantis), leques, capas,penas e flores, luvas, chapéis, cabelo, malha, couro, rendas, joalheria, aviamentos,sapatos, prataria, fumo, brinquedos, roupas de baixo...a loja possuía uma infinidade de itens, que incluíam inclusive armas e livros.



O catálogo de 1886 possui aproximadamente 1,700 itens. Em 176 páginas ilustradas. Poucos catálogos sobreviveram até os dias atuais porque eram intensamente manuseados, geralmente por mais de uma pessoa, sendo que parte delas tinha o costume de arrancar páginas e recortar algumas ilustrações para guardar.




Quem costumava comprar na Bloomingdale eram principalmente donas de casas que gostavam de coisas bonitas, já que os produtos da loja eram considerados na moda e possuíam um preço baixo. As mais fashionistas ainda preferiam encomendar suas roupas com costureiros.


Para encomendar, a cliente deveria enviar, suas medidas  junto da descrição dos itens desejados, para que as roupas servissem bem. Era possível também mudar detalhes de cores, aviamentos ou até mesmo enviar um design novo para que pudesse ser confeccionado. Para encomendar tecidos, aviamentos ou apliques de cabelo na cor desejada o cliente poderia enviar amostras pelo correio, junto de seu pedido.

Pra quem se interessa por revivalismo ou recriação histórica o catálogo é um prato cheio para pesquisa. É possível ver o que estava na moda durante esse ano em várias áreas, e com as ilustrações perceber bem os estilos. Além do fato de cada uma das peças conter uma descrição dos materiais utilizados. Na parte de aviamentos e acessórios, o catálogo serve como uma fonte de comparação com itens encontrados atualmente.

Alguns itens que me chamaram a atenção:


Preços:

A Bloomingdale se orgulhava de possuir os menores preços , o que era repetido diversas vezes ao longo do catálogo.

Vestidos: os preços começam em  $5 os conjuntos para serem usado no dia a dia e vão até $50  em um vestido de noivas.
Saias: de 60c a $2
Chemises: 45c a $1,5
Corsets: 50c para modelos mais simples a $3,25, nos modelos com rendas, bordados e afins
Drawers: 28c a $1,6
Anáguas: $1,2 a $2
Sapatos: $2 os sapatos baixos, para caminhada até  $10 nas botas

No site Measuring Worth é possível convertes os preços para valores atuais. Segundo a pagina, $1 de 1886 atualmente valeria $26. Ou seja, um vestido de 15 dólares cerca de  $390 atualmente. E um corset de 1,5 dólares custaria $39.

Catálogos semelhantes:

Pesquisando um pouco mais acabei encontrando outros catálogos, que estão disponíveis para download ou visualização online.

Catálogo de moldes da Butterick, 1871: https://archive.org/details/catalogueofebutt00butt
Catálogo da Bloomingdale de 1890: https://archive.org/details/illustratedfashi00bloo
Catálogo da Jordan, Mash de 1895-96: https://archive.org/details/fallwinter18956p00jord

Referências:

https://www.measuringworth.com/uscompare/relativevalue.php
Bloomingdale’s illystrated 1886 catalog, por Bloomingdale Brothers. Dover Publication, 1988

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Livro: Primeiras Impressões

"'É um conhecimento universal que o o homem, por mais apaixonado que esteja, não fica com uma mulher se a sua família o desagrada', reflete Liz"


     Qualquer semelhança com a frase de Orgulho e Preconceito não é mera coincidência. Primeiras Impressões é uma adaptação do clássico da Jane Austen, escrito por LRDO. Acredito que Orgulho e Preconceito dispense apresentações então falarei logo do Primeiras Impressões.

     Nesse livro, Liz Benevides é uma carioca que costuma passar suas férias junto de sua família em Búzios, a ilha onde seus pais possuem pousadas. Ela está voltando dos Estados Unidos após estudar literatura e trabalhar em uma livraria de seus tios. Darcy é um político americano que vem de uma família conservadora e está de passagem em Búzios por algumas semanas junto de seu amigo Charles, um ruivo simpático dono de uma rede de restaurantes e apaixonado por culinária exótica.

     Logo no início a autora apresenta os personagens, descrevendo as características que os definem  de forma adaptada para a atualidade. Temos a Liz como uma mulher sarcástica, inteligente e desconfiada. Darcy como um homem conservador e reservado, um Charles alegre e simpático, a amável Jane, e por aí vai... Mesmo quem não leu O&P anteriormente vai conseguir compreender bem a história porque a história é bem apresentada.

     Em Primeiras Impressões fica bem claro que Darcy e Liz tem uma certa química desde o começo, apesar de os dois não se entenderem bem em razão de terem personalidades e gostos diferentes. Foi uma boa sacada da autora ter acrescentado cenas em que há trocas de olhares, toques e afins entre os personagens porquefica bem mais crível, e em um romance atual isso é algo que faz falta.

     O livro é uma adaptação de fato, e cumpre essa função muito bem. Você não fica com a impressão de que o texto original da Austen foi copiado, apenas com umas alterações aqui e ali (o que foi exatamente o que achei de Orgulho e Preconceito e Zumbis, aliás). A história foi recriada, mas mantendo toda a essência da obra original, tanto da história quanto das características dos personagens.  Por exemplo, aqui temos personagens que trabalham, e as pessoas não pedem as outras em casamento após conhecê-las por algumas semanas apenas.

     A escrita é bem agradável, achei o livro envolvente e bem difícil conseguir largar enquanto eu o lia, rs. Recomendo a todos que gostam de um bom romance, independente de ter lido Orgulho e Preconceito ou não.

     Uma curiosidade: Primeiras Impressões foi o primeiro título que Jane Austen deu a sua obra, mas que depois resolveu mudar.

Sobre a autora:



Primeiras Impressões é o primeiro livro de LRDO, uma advogada brasileira apaixonada por literatura e cinema. Ela tem um blog, que pode ser lido aqui.

Sobre o livro:

310 páginas.
2015
Editora Kiron

O livro pode ser comprado na Amazon aqui  (ebook) ou no site da editora


domingo, 1 de novembro de 2015

Resumo das leituras de outubro - Halloween



   Eu adoro o Halloween! Além de gostar de praticamente qualquer ocasião que me permita usar roupas diferentes, amo as festas temáticas, as comidas decoradas etc. Em outubro perco a conta de quantas vezes trechos da música "This is halloween" ficam na minha cabeça.

    Dessa vez em outubro resolvi ler apenas livros com temáticas que combinem com halloween, ou seja: livros de horror, mistério, com seres sobrenaturais e bruxos. Me inspirei na Tatiana Feltrin, que sempre faz o mês do horror em seu canal.

    Não vou colocar sinopses ou resenhar os livros aqui, mas sim dizer o que achei de cada um deles, a intenção é ser mais direta mesmo. Caso queira ler a sinopse é só clicar no link do titulo do livro. Enfim, o que eu li esse  mês:

Quadribol através dos séculos (sinopse):

    Começando por um livro que trata sobre bruxos. Esse fala sobre Quadribol, o esporte mais famoso do mundo que a J. K. Rowling criou. Pra ser sincera quadribol nunca foi um esporte que me atraiu muito enquanto li ou assisti Harry Potter por isso foi o livro que deixei por último. Mas acabei me surpreendendo com o quão agradável é a leitura, a Rowling poderia escrever sobre grama e ainda assim eu acharia muito interessante. Além de agradável é um livro bem humorado e rápido de ser lido. Nota 3/5

Diários do vampiro - Almas Sombrias (Sinopse)

    Que. Preguiça. Eu já havia desanimado com o primeiro livro dessa nova trilogia, mas o segundo conseguiu ser ainda mais tedioso. Cheio de clichês, situações absurdas (como a Elena estar em um lugar equivalente ao inferno pra salvar o namorado e parar pra se arrumar e depilar, oi?) e partes desnecessárias. Acho que se não fosse o Damon e a Meredith seria insuportável ler essa série. Nota 2/5.

O cemitério (sinopse)

    De longe a melhor leitura do mês! Stephen King não me decepciona. Eu li o livro achando que a história seria uma coisa mas na verdade acabei me surpreendendo bastante! Gostei da forma como o terror aparecia de forma intercalada no livro, com partes mornas onde apenas coisas corriqueiras acontecem para de repente aparecer alguma cena bizarra e assustadora no meio. Isso me fez ficar tensa durante todo o livro, o que foi incrível. Nota 5/5.

Histórias de Horror (sinopse)

    Esse é uma coletânea de contos, sendo a maioria do século XIX ou do início do século XX. Mas ao contrário do que diz o título do livro não são apenas contos de horror, mas sim alguns com elementos sobrenaturais, de suspense e afins. Como eu esperava ler apenas contos assustadores acabei me decepcionando um pouco, mas destaco O Cirurgião de Gaster Fell, de  Sir Arthur Conan Doyle, e Os fatos no caso do Sr. Valdemar, do Edgar Allan Poe, pra mim esses foram os melhores. Nota 3/5.

O senhor das moscas (sinopse)

    Assim como O cemitério, é um livro que me surpreendeu positivamente, à medida que eu tinha imaginado que a história se desenvolveria por um caminho e o que aconteceu foi bem diferente do que imaginei. O livro passa uma certa apreensão, e conforme vemos  as mudanças que as crianças sofrem na ilha e a sua preocupação com monstros e tudo mais você acaba entrando na mente delas e se questionando sobre o que acontece de fato lá. Nota 3/5

Noite das bruxas (sinopse)

    Esse eu ainda não terminei, mas resolvi incluir no post porque é o único livro que está diretamente ligado ao Halloween, já que é como o livro começa, já que o crime acontece durante uma festa de Halloween. Até agora estou gostando.

    Bem, essas foram minhas leituras. Não costumo postar o que leio no mês mas achei dessa vez seria interessante já que todos os livros estavam relacionados de alguma forma. Espero que tenham gostado.