domingo, 3 de novembro de 2013

Jane Eyre : Filme (2011) e livro




   Eu tinha visto Jane Eyre a muito tempo, pouco tempo depois que o filme lançou/saiu em DVD, e logo de cara amei! O figurino, a história, os atores, trilha...enfim, é um dos meus favoritos.  Recentemente li o livro e resolvi rever o filme pra  poder comparar melhor e resolvi falar sobre ele aqui. Sou péssima com sinopses, mas vamos lá:



    O filme conta a história de Jane Eyre desde a sua infância. Jane é uma criança órfã que vive com sua tia e seus primos, porém ambos a tratam mal. Ela tem uma personalidade forte e é uma pessoa quieta e observadora, porém sua  tia a tem como uma criança má e mal educada e a manda para um orfanato. Nesse orfanato Jane tem uma educação bem rigorosa e lá permanece até seus 18 anos (os últimos dois como professora), saindo de lá como uma moça bem educada.


    Sempre almejando sua independência, Jane resolve trabalhar como preceptora na mansão de Edward Rochester, onde tem que educar Adele Varens, uma garota francesa que é sua protegida. Nessa mansão Jane precisa lidar com os modos estranhos e muitas vezes rudes do Sr. Rochester e também com um mistério acerca de uma moradora da mansão.


Figurino:




O figurino ficou por conta de Michael O'Connor (também responsável pelo figurino de The Duchess). O livro foi lançado em  1847 mas sua história se passa 10 anos antes, porém o Cary Fukunaga (diretor) achou que seria melhor fazer o figurino da década de 1840, pois nem ele nem o Michael gostavam da moda da década de 30. O próprio Fukunaga disse: "the clothing style of the '30s was just awful". E eu não posso discordar do Fukunaga e agradecer essa escolha porque também detesto essa década, haha.
O figurino é um espetáculo a parte, e dá pra ver bem o contraste entre as roupas de trabalhadoras como a Jane e a governanta da casa (Sra. Fairfax) e pessoas mais ricas como a tia de Lady Ingram, por exemplo.

Quem quiser conferir mais imagens do figurino pode ver aqui.

Jane à frente e Lady Ingram logo atrás.


Trilha Sonora:

A música ficou a cargo de Dario Marianelli (que também fez trilhas de outros filmes de época) e é belíssima e compensa a falta de diálogo em algumas cenas. Uma palhinha:



Diferença livro x filme e sua adaptação:



    Apesar dos cortes sempre presentes em adaptações ( e nesse caso foram condensadas mais de 500 páginas em 2 horas), o filme é bem fiel ao livro e os cortes não comprometem a compreensão da história. Esta não ficou confusa no filme e ainda tem o mesmo "feeling" do livro. A escolha dos atores foi ótima, mas apesar de adorar o Edward Rochester do Fassbender, a personalidade dele acabou ficando um pouco diferente da do livro, no livro ele é mais enérgico e é bem feio (fato esse diga-se de passagem que é  citado constantemente), e o Michael Fassbender pode ser tudo menos muito feio.
    O Cary Fukunaga aproveitou o mistério do Sr. Rochester para dar um clima mais "terror" no filme, recomendo que vejam as cenas excluídas, algumas coisas são melhor explicadas ali.

  Bem, é isso, não sei se alguém por aqui ainda não viu, mas de qualquer maneira fica a dica  de um ótimo filme pra quem gosta de se inspirar nos figurinos e de um romance vitoriano com um quê feminista.  ^^

Citações do livro (contem spoilers):




"Há verdade nas mais loucas fábulas" Edward Rochester
"Ele me fez amá-lo sem ao menos me olhar" Jane Eyre
"E é a você, mesmo pobre e obscura,  feiosa e baixinha, que peço que me aceite como marido" Edward Rochester
"Faça minha felicidade que eu farei a sua". Edward Rochester.
"Se por um lado eu não posso contaminá-la, por outro, você pode me arejar" Edward Rochester
"Meus olhos se voltavam para ele, mesmo sem querer. As pálpebras se erguiam por conta própria, e as íris nele se fixavam. Eu olhava e sentia um prazer agudo em olhar - um prazer raro, embora doce-amargo. Precioso, mas com uma ponta de agonia. Um prazer como o que um homem morto de sede deve sentir ao perceber que o poço até o qual se arrastou tem a água envenenada, água que ele, mesmo sabendo disso, beberá de qualquer forma." Jane Eyre
"Em pleno verão, descera sobre ela o rigor do inverno" Jane Eyre
"Cada átomo de sua carne me é caro como se fosse parte do meu próprio corpo" Edward Rochester
"É melhor levar uma criatura ao desespero absoluto do que desobedecer meras leis humanas, cuja transgressão não faria mal a ninguém?" Edward Rochester
"- Não seria maldade me amar
 - Mas obedecer-lhe seria".
"Leis e princípios não foram feitos para os tempos em que não há tentação"
" Mas creio que nenhum serviço degrada, desde que possa nos tornar melhores" - St. John
"Propensões e princípios devem ser conciliados, de alguma forma" St. John
"A lembrança dele continuava comigo, pois não era um vapor que o calor do sol pudesse dispersar, nem tampouco uma efigie de areia que os ventos fossem capaz de desfazer". Jane Eyre.

sábado, 19 de outubro de 2013

Fazendo um traje vitoriano parte III: Acessórios

E a saga chega ao fim! Esse é o último post sobre o meu  traje vitoriano.
Os acessórios eu fiz /comprei baseado no quadro que me inspirou, esse aqui:

Recorte do quadro The Great Exhibition,1851 

 Assim como fiz com o vestido, usei outras referências além do quadro escolhido. Pros acessórios eu apelei pra outros quadros da Victoria e reparei que eles se repetiam em vários deles.  Separei  os acessórios por "áreas" pra falar um pouco sobre eles.

Mãos:



Luvas da 25 de março, pulseira idem (o camafeu eu tirei de um colar e coloquei nele). Os babados eu costurei uma tira de tricoline na fita de cetim e prendi com colchetes (?). Bem simples.



Pescoço/ Decote:

Colar que poderia ser de cristal/diamante, mas no meu caso foi acrílico by 25 de março. O broche de camafeu eu já tinha. Queria ter usado um com alguma pedra (seria o ideal) mas eu não encontrei =/.



Cabeça:


Coroa: Eu até tinha encontrado uma mais próxima da dela, mas optei por essa mais simples por ser usável em lolita também. Achei que não valeria a pena pagar mais caro numa peça que seria usada apenas por algumas horas.

Cabelo: Inspirada novamente pelos quadros e pelo The Young Victoria (aliás, contei que a ideia de fazer esse traje surgiu desse filme?). Fiz um coque recheado com um rolinho, tranças, e usei 623675267 grampos pra prender o cabelo.

Penas: Era bem comum esses acessórios de pena, mas acabei não encontro penas/ plumas falsa pra vender então foi sem mesmo.

Brincos: Poderiam ser diamantes mas eram acrílico, novamente xD



Tronco:



Faixa. A Victoria aparecia diversas vezes com essa faixa, então achei imprescindível fazê-la também. É bem simples também, uma faixa , presa no ombro com esses prendedores de pérolas, e com um laço na ponta inferior, com um broche.






Braços: Essa braçadeira também aparece em vários quadros e é da Ordem da Jarreteira. Eu fiz com uma tira de tecido costurada, e costurei à mão uma tira de strass pra fazer esses detalhes. O nó e a fivela são só enfeites, porque ela é presa com um colchete.



Bem, é isso, finalmente terminei os posts sobre meu traje vitoriano, gostei bastante da experiência de pesquisar, fazer, e escrever sobre ele, com certeza me animou a fazer mais trajes de época pros próximos eventos.

Ps.: Dessa vez fico devendo as referências porque são muitos quadros que eu usei como referência, mas caso alguém queira saber de qual quadro tirei determinado recorte comenta e eu vejo se encontro, rs.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Inspiração: Tea Gowns

      Tea Gowns foram bem populares no  século XIX e trata-se de um vestido leve para ser usado em casa e sem corset, sendo muitas vezes acompanhando por uma peça que lembra um roupão. Quem quiser ler mais sobre pode conferir aqui.

      Eu simplesmente adoro esse tipo de traje e sua praticidade e ando procurando inspirações pro meu próximo traje, então aqui vai os que eu mais gostei:

 Liberty & Co. tea gown of figured silk twill, c. 188

Tea Gown, Jays Limited (London, England) ca. 1895-1901, silk chiffon, trims.

British silk 1885 tea gown

1908 Tea Gown



 Tea gown. Evar. Paquin, 1906

Lace tea gown, 1905.

Worth Tea Gown c.1905

Tea Gown made by House of Rouff, ca. 1900

Algumas ilustrações:

Tea gown for evening wear, January-1900

1899

Eu pretendo fazer meu tea gown pra usar aqui:


 Bem, por hoje é só, rs. Como já apresentei minha "pesquisa" aqui, provavelmente farei só mais um post sobre o tea gown que farei...Até mais ^^

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Fazendo um traje vitoriano parte II: Vestido

Recorte do quadro The Great Exhibition,1851 

    Fala-se vestido mas na verdade são duas peças, o corpete (bodice) e a saia. A cintura é um pouco acima da cintura natural, os trajes de baile mostram os ombros, e pra mim é uma peça bem decotada, muito assanhada essas moças vitorianas, haha. O corpete é bem pontudo, o que me deu um certo medo porque a primeira vez que fui fazer uma peça assim não deu muito certo. Eu queria fazer uma réplica do quadro da Grande Exibição, mas pro molde novamente eu me baseei  em peças de outras revivalistas, mas eu também analisei peças de museus e até mesmo o figurino de The Young Victoria.

Dona Josefa em 1852, imagem que usei como referência pro volume da saia
Corpete:

Foi o que me deu um bom trabalhinho, pois é uma peça que deve ser bem ajustada no corpo, além de também ser firme e  diferente do que costumo fazer. Mas confesso que foi uma delícia pesquisar tudo e depois ir vendo o trabalho evoluir...

1850s evening dress.

The Young Victoria

Eu nunca lembro de tirar fotos do processo, mas do corpete eu tenho:

Fotos do molde/tecidos já cortados, em brim, cetim, e algodão

Depois de juntar as peças do forro, passei as costuras (note a diferença na primeira foto, onde a da direita está passada e a da esquerda não) e costurei o viés pra comportar as barbatanas.

 Depois de costurar forro e parte exterior, juntei as duas peças e costurei a gola e barra juntas, pra depois acrescentar as rendas e viés.

   Eu usei cetim (do avesso pra evitar o brilho excessivo), e pra deixar ele mais firme costurei junto com uma camada de brim. Ele possui forro e barbatanas de silicone pra manter ele estruturado. Finalizei ele com viés de cetim e rendas de tule. Nas costas ele é fechado com botões virados pro lado de dentro.
   Eu primeiro fiz uma peça teste em cetim mesmo, pra testar a modelagem, mas fiquei insatisfeita e mudei tudo, haha depois do segundo fiz outra peça teste e aí sim passei pra peça final.

   Não ficou exatamente como era pra ser mas eu gostei bastante do resultado.

Saia:

A saia possui aproximadamente 3m de largura, pra que ficasse bem cheia. Ela é presa no cós com pregas pequenas na parte de trás além das pregas há um franzido.

Resultado final:





Referências consultadas:

Corpete:
Melissa de Vargas, primeiramente, que me deu dicas de como fazer a construção do corpete.
Pinterest
Pintrest II
A evolução da Indumentária (livro), scan das páginas cedido por Sana Skull.

Bem, é isso, termina aqui mais uma parte dessa série de post,  espero que tenham gostado ^^

sábado, 31 de agosto de 2013

Fazendo um traje vitoriano parte I : undergarments parte 2

The Young Victoria

Voltando depois de meses pra continuar a série de posts sobre meu traje vitoriano, haha. Mas logo termino, pois já estou preparando um  medieval e quero escrever sobre ele também.

Estou fazendo mais um post sobre undergarments porque é _muita_ coisa!  Mas nesse termino com todas as roupas de baixo, que vão por cima dessas daqui.

Bumpad:

Essa peça me deu um certo trabalho não por ser difícil de fazer, mas pela quantidade escassa de imagens de peças originais. As que eu encontrava eram do rococó, não lembro de ter visto uma vitoriana mesmo.  Bum pad é uma almofada que ajuda a conferir a armação na área do quadril e dá a impressão da cintura ser menor.

Não foi nada elaborado, mas eu tive que desenvolver a minha própria modelagem baseada nas imagens de outras revivalistas que encontrei. Meu resultado foi esse:



Ela é recheada com algodão sintético (o que eu usei solta uns fiapos que fazem a maior sujeira, recomendo tomar cuidado com isso).
O volume que ela dá:


Anágua de cordão:

 c.1828 Corset, Sleeve supports & corded petticoat

Anágua de cordão de 1830

Essa linda foi a que me deu mais trabalho! Não que fosse difícil de fazer, mas é um processo demorado pois cada cordão precisa ser preso ao longo do tecido... Mas eu fiz um tutorial completo dela, logo mais edito aqui com o link.
Algumas fotos do processo.



Anágua acolchoada / quilted petticoat:

Essa era mais uma das anáguas usadas para conferir volume à saia. Eu acabei não encontrando a manta acrílica pra fazer a minha, e me arrependo, porque em alguns momentos senti que faltou um pouco de volume no meu traje...

 Modelos históricos:
Petticoat 1840-1855 The Metropolitan Museum of Art

Brown polished cotton quilted petticoat, dated 1840-1849, American. Kent State University Museum collection 1983.001.0084

Anágua comum:



Essa anágua não confere volume, mas evita que os cordões da peça de baixo marquem sob a roupa. Acho que não tenho muito o que comentar sobre ela, é uma peça realmente simples e fácil de fazer. tirei a foto dela na parte de trás pra mostrar como eu fecho ela:



Bem, é "só" isso, haha. Ainda estou pensando em como escrever esses posts da melhor maneira possível, então se alguém tiver uma sugestão só comentar aqui ^^

Algumas das referências consultadas:

Sobre a anágua de cordão:
Twila Tee
History of fashion and dress
Cloak and corset
Romantic History
Diários anacrônicos

Bumpad:
Romantic History

Composição das peças:

Moda histórica