terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Livro: Primeiras Impressões

"'É um conhecimento universal que o o homem, por mais apaixonado que esteja, não fica com uma mulher se a sua família o desagrada', reflete Liz"


     Qualquer semelhança com a frase de Orgulho e Preconceito não é mera coincidência. Primeiras Impressões é uma adaptação do clássico da Jane Austen, escrito por LRDO. Acredito que Orgulho e Preconceito dispense apresentações então falarei logo do Primeiras Impressões.

     Nesse livro, Liz Benevides é uma carioca que costuma passar suas férias junto de sua família em Búzios, a ilha onde seus pais possuem pousadas. Ela está voltando dos Estados Unidos após estudar literatura e trabalhar em uma livraria de seus tios. Darcy é um político americano que vem de uma família conservadora e está de passagem em Búzios por algumas semanas junto de seu amigo Charles, um ruivo simpático dono de uma rede de restaurantes e apaixonado por culinária exótica.

     Logo no início a autora apresenta os personagens, descrevendo as características que os definem  de forma adaptada para a atualidade. Temos a Liz como uma mulher sarcástica, inteligente e desconfiada. Darcy como um homem conservador e reservado, um Charles alegre e simpático, a amável Jane, e por aí vai... Mesmo quem não leu O&P anteriormente vai conseguir compreender bem a história porque a história é bem apresentada.

     Em Primeiras Impressões fica bem claro que Darcy e Liz tem uma certa química desde o começo, apesar de os dois não se entenderem bem em razão de terem personalidades e gostos diferentes. Foi uma boa sacada da autora ter acrescentado cenas em que há trocas de olhares, toques e afins entre os personagens porquefica bem mais crível, e em um romance atual isso é algo que faz falta.

     O livro é uma adaptação de fato, e cumpre essa função muito bem. Você não fica com a impressão de que o texto original da Austen foi copiado, apenas com umas alterações aqui e ali (o que foi exatamente o que achei de Orgulho e Preconceito e Zumbis, aliás). A história foi recriada, mas mantendo toda a essência da obra original, tanto da história quanto das características dos personagens.  Por exemplo, aqui temos personagens que trabalham, e as pessoas não pedem as outras em casamento após conhecê-las por algumas semanas apenas.

     A escrita é bem agradável, achei o livro envolvente e bem difícil conseguir largar enquanto eu o lia, rs. Recomendo a todos que gostam de um bom romance, independente de ter lido Orgulho e Preconceito ou não.

     Uma curiosidade: Primeiras Impressões foi o primeiro título que Jane Austen deu a sua obra, mas que depois resolveu mudar.

Sobre a autora:



Primeiras Impressões é o primeiro livro de LRDO, uma advogada brasileira apaixonada por literatura e cinema. Ela tem um blog, que pode ser lido aqui.

Sobre o livro:

310 páginas.
2015
Editora Kiron

O livro pode ser comprado na Amazon aqui  (ebook) ou no site da editora


sábado, 7 de novembro de 2015

Tutorial: anágua de cordão


     A anágua de cordão (corded petticoat) foi usada principalmente entre 1820 e 1850, antes da criação das crinolinas, para dar suporte às saias e vestidos vitorianos. Era usada junto de outras anáguas (como a recheada com crina de cavalo - quilted petticoat, com babados, etc) e o bumpad. Haviam diferentes formas de arranjar os cordões, assim como a espessura dos mesmos variavam. O comprimento em geral era no meio da canela.
   Exemplos de modelos históricos:
 

c.1828 Corset, Sleeve supports & corded petticoat

Apesar de ser uma peça que precisa de um pouco de paciência pra ser feita, é bem fácil e dá até pra ser feita à mão (como era na época).

Materiais:
  •  2,5m de tricoline ou algum outro tecido de algodão. Para que ficasse mais armado, eu usei um algodão já engomando onde vão os cordões e um comum na parte sem eles, para que ficasse mais confortável na hora de sentar.
  •  Cordão de algodão ou sisal. Quanto mais grosso o cordão, mais armado fica. Eu usei um rolo de aproximadamente 25m de um cordão de 10mm pra parte de baixo e  pra parte de cima uns 10m com um cordão de 8m
  •   1,10m de fita de cetim, gorgorão e afins.
  •  36cm de viés branco.
  • Sapatilha de máquina para zíper invisível
  • Linhas, giz ou lápis pra marcar o tecido, alfinetes etc.
As medidas e quantidades podem variar de acordo com o tamanho da pessoa.

Molde:

     O molde da anágua de cordão é bem simples - um retângulo - o que varia é o comprimento, largura, e distância entre os cordões. Quanto mais próximos os cordões, mais armado fica, e quanto maior a largura idem. Todas as medidas desse post são aproximadas, baseadas em alguém de 1,73 cm de altura e manequim 42. Caso você seja mais baixa algumas medidas precisam ser alteradas. 

     O molde abaixo é o que funcionou pra mim, e eu marquei essas linhas diretamente no tecido, após alguns cálculos e esboços.



     Os espaços em verde indicam onde o cordão deverá ser costurado, nesse caso, marque duas linhas com 3cm de distância entre elas, a cada 6cm.

     Abaixo uma tabela com medidas e materiais de anáguas de cordões da época:



Tabela por Historical Sewing.

Passo a passo:

1-  Primeiro trace as linhas do molde no tecido, para saber onde posicionar o cordão e onde costurar.
2-  Depois de trocar a sapatilha,posicione o cordão para costurá-lo entre o tecido. Repare como o lado da agulha precisa ficar rente ao cordão. Como eu não tenho certeza se a foto ficou clara, deixo abaixo um desenho ilustrando:




3-Agora é só costurar, prestando atenção pra manter o cordão dentro das linhas delimitadas, a costura deverá passar nessas linhas também.

4 - Chegando ao final da carreira recomendo que corte o cordão com uns 3 ou 4cm sobrando para fora do tecido, porque ele tende a desfiar.



5 - Terminada a costura dos cordões, agora é hora de juntar a parte com os cordões com a outra que vai na região do quadril, através de uma costura simples (se você esta usando somente um tipo de tecido, pule este passo).  A partir desse momento você já pode tirar a sapatilha de zíper  e colocar a comum.

6 - Faça a barra da parte com os cordões. Como eu deixei auréola do tecido embaixo, eu só dobrei uma vez e passei a costura.




7 -  Aplique o viés nos primeiros 15cm da parte superior da saia, pra dar acabamento. Não tenho foto do processo então vai mais um desenho:



8 - Costure as laterais deixando a parte com viés sem costurar, para que assim fique um abertura pra facilitar na hora de vestir. Para facilitar na costura, recomendo que deixe os cordões desalinhados como na foto:

 


9 -  Para fazer o cós é preciso dobrar a ponta do tecido como na imagem abaixo, e depois. Depois, usando um alfinete de segurança, passe a fita por dentro dessa canaleta que foi formada.





10 – E está pronta a sua anágua de cordão! Como o franzido da saia fica móvel na saia, você pode direcionar o volume de acordo com o efeito que pretende reproduzir.

   


domingo, 1 de novembro de 2015

Resumo das leituras de outubro - Halloween



   Eu adoro o Halloween! Além de gostar de praticamente qualquer ocasião que me permita usar roupas diferentes, amo as festas temáticas, as comidas decoradas etc. Em outubro perco a conta de quantas vezes trechos da música "This is halloween" ficam na minha cabeça.

    Dessa vez em outubro resolvi ler apenas livros com temáticas que combinem com halloween, ou seja: livros de horror, mistério, com seres sobrenaturais e bruxos. Me inspirei na Tatiana Feltrin, que sempre faz o mês do horror em seu canal.

    Não vou colocar sinopses ou resenhar os livros aqui, mas sim dizer o que achei de cada um deles, a intenção é ser mais direta mesmo. Caso queira ler a sinopse é só clicar no link do titulo do livro. Enfim, o que eu li esse  mês:

Quadribol através dos séculos (sinopse):

    Começando por um livro que trata sobre bruxos. Esse fala sobre Quadribol, o esporte mais famoso do mundo que a J. K. Rowling criou. Pra ser sincera quadribol nunca foi um esporte que me atraiu muito enquanto li ou assisti Harry Potter por isso foi o livro que deixei por último. Mas acabei me surpreendendo com o quão agradável é a leitura, a Rowling poderia escrever sobre grama e ainda assim eu acharia muito interessante. Além de agradável é um livro bem humorado e rápido de ser lido. Nota 3/5

Diários do vampiro - Almas Sombrias (Sinopse)

    Que. Preguiça. Eu já havia desanimado com o primeiro livro dessa nova trilogia, mas o segundo conseguiu ser ainda mais tedioso. Cheio de clichês, situações absurdas (como a Elena estar em um lugar equivalente ao inferno pra salvar o namorado e parar pra se arrumar e depilar, oi?) e partes desnecessárias. Acho que se não fosse o Damon e a Meredith seria insuportável ler essa série. Nota 2/5.

O cemitério (sinopse)

    De longe a melhor leitura do mês! Stephen King não me decepciona. Eu li o livro achando que a história seria uma coisa mas na verdade acabei me surpreendendo bastante! Gostei da forma como o terror aparecia de forma intercalada no livro, com partes mornas onde apenas coisas corriqueiras acontecem para de repente aparecer alguma cena bizarra e assustadora no meio. Isso me fez ficar tensa durante todo o livro, o que foi incrível. Nota 5/5.

Histórias de Horror (sinopse)

    Esse é uma coletânea de contos, sendo a maioria do século XIX ou do início do século XX. Mas ao contrário do que diz o título do livro não são apenas contos de horror, mas sim alguns com elementos sobrenaturais, de suspense e afins. Como eu esperava ler apenas contos assustadores acabei me decepcionando um pouco, mas destaco O Cirurgião de Gaster Fell, de  Sir Arthur Conan Doyle, e Os fatos no caso do Sr. Valdemar, do Edgar Allan Poe, pra mim esses foram os melhores. Nota 3/5.

O senhor das moscas (sinopse)

    Assim como O cemitério, é um livro que me surpreendeu positivamente, à medida que eu tinha imaginado que a história se desenvolveria por um caminho e o que aconteceu foi bem diferente do que imaginei. O livro passa uma certa apreensão, e conforme vemos  as mudanças que as crianças sofrem na ilha e a sua preocupação com monstros e tudo mais você acaba entrando na mente delas e se questionando sobre o que acontece de fato lá. Nota 3/5

Noite das bruxas (sinopse)

    Esse eu ainda não terminei, mas resolvi incluir no post porque é o único livro que está diretamente ligado ao Halloween, já que é como o livro começa, já que o crime acontece durante uma festa de Halloween. Até agora estou gostando.

    Bem, essas foram minhas leituras. Não costumo postar o que leio no mês mas achei dessa vez seria interessante já que todos os livros estavam relacionados de alguma forma. Espero que tenham gostado. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Recriação Histórica: comportamento e etiqueta do século XIX em Our Deportment, parte II

Parte 2: Encontros






    Continuando a série de posts sobre etiqueta (caso você não tenha visto o primeiro clique aqui), esse vai ser sobre as regras de comportamento relacionadas a encontros, incluindo assuntos como saudações, conversação, etc




Capítulo III: Apresentações



- Só apresente alguém que você conhece e sabe que é uma boa pessoa, para evitar problemas futuros.
- Se você está na casa de um amigo, as pessoas ali podem lhe ser apresentadas, pois já são vistas como repeitáveis, visto que seu amigo as convidou.
- Deve-se apresentar o homem à mulher, o jovem ao mais velho, e o ‘inferior’ ao superior.
- Ao apresentar alguém, dizer algo sobre sua ocupação é de bom tom, porque assim é possível introduzir uma conversa entre os dois convidados.
- Uma simples inclinação de cabeça já é o suficiente depois de ser apresentado, um aperto de mão é opcional.
- A mulher só deve oferecer sua mão caso o homem que lhe foi apresentado seja alguém estimado por quem o apresentou, ou caso ela seja a anfitriã e queira demonstrar cordialidade.




Capitulo IV: Saudações



- Na Inglaterra e na América existem três formas de saudar alguém: a inclinação, o aperto de mão e o beijo.
- Se você conhece a pessoa pouco, incline-se pouco. Inclinar-se ao conhecer ou reconhecer alguém é um importante sinal de boa educação. Junto da inclinação de cabeça deve-se dizer um ‘bom dia’ ou ‘como vai?’.
- Saudar alguém apenas com um sorriso não é algo bem visto.
- Entre amigos o aperto de mãos é o cumprimento mais usado. A mulher que deve oferecer sua mão, caso o homem seja seu amigo.
- O beijo é a saudação mais afetuosa e é dado somente em relações próximas e amigos queridos. O beijo é dado na bochecha ou testa, e nunca deve ser feito em público. O beijo na mão está praticamente obsoleto.








Capítulo VIII: Conversação 



- O caráter de uma pessoa é revelado numa conversa tanto quando qualquer outra qualidade que ela possua.
- Ter uma boa memoria é importante para manter uma boa conversa. Lembre-se dos nomes das pessoas, pelo menos.
- Para ter uma boa conversa é preciso ouvir atentamente, ser observadora, estudar e ter uma boa memoria.
- Ser um bom ouvinte é importante. Demonstre interesse no que te dizem e nas pausas diga algo que dê a entender o que você está entendendo o que o outro está falando.
- Evite gírias, exageros, uso de palavras estrangeiras, vícios de linguagem.
- Seja simpático e alegre.
- Elogie aqueles iguais a você ou numa posição abaixo, mas apenas se o elogio for sincero.
- Não seja pedante ou ostente um conhecimento.
- Evite perguntas impertinentes. Diga "Espero que seu irmão esteja bem" ao invés de "Como está a saúde do seu irmão?".
- Evite assuntos polêmicos.
- Não aponte os erros de linguagem dos outros.
- Não pergunte o preço das coisas que alguém está usando a menos que seja alguém próximo e por um bom motivo
- Não monopolize a conversa




Capítulo IX: Dando e indo a jantares



“O jantar deveria ser considerado uma das belas artes.” Apesar de jantares serem considerados entretenimento de pessoas casadas ou de meia idade, é sempre agradável ter jovens e solteiros entre os convidados.
- Os convites devem ser feitos por cartões entregues pessoalmente e com dois a dez dias de antecedência.
- Os convites devem ser respondidos assim que recebidos.
- Ser pontual é obrigatório, não chegue nem muito cedo nem muito tarde. 15 minutos é o máximo que se pode esperar por algum convidado.
- Um bom anfitrião deve garantir que a conversação seja mantida durante todo o encontro.
- Mantenha a boca fechada ao comer. E evite fazer barulhos enquanto come ou bebe.
- Você esta livre para recusar algo que lhe é oferecido para comer, mas não fique brincando com a comida depois que você a recebe.
- Não fique brincando com os talheres na mesa
- É uma marca da grosseria palitar ou limpar os dentes à mesa




    Essa parte relacionadas a encontros é bem extensa, afinal no livro tem capítulos dedicados a várias situações, de festas a velórios. Selecionei regras relacionadas a momentos mais corriqueiros, para não deixar o post demasiadamente longo.



domingo, 18 de outubro de 2015

1880's late victorian.

Traje da década de 1880 composto de saia, sobressaia e corpete feitos em tafetá, com detalhes em guipir, ambos feitos por mim. Como roupa de baixo uma combinação, bustle pad e anáguas feitos por mim, corset da Josette Blandchard e gargantilha da Empório Anacrônico, demais acessórios foram compradas e lojas comuns.

Principais inspirações: Penny Dreadful, Entrevista com o Vampiro, trajes de baile de 1880's.

Posts relacionados: Traje vitoriano tardio 1880s (mais sobre a inspiração e processo de costura).




Fotos por Valdeir Neto:



Fotos por Italo Vinícius:





Fotos por Cleusa Vargas:



Caso pretenda postar as fotos em algum outro lugar por favor me avise  e mantenha o crédito dos fotógrafos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Traje vitoriano tardio 1880s

Inspiração:

    A ideia principal era fazer um vestido o mais fiel possível à época (década de 1880), porém que pudesse ser incorporado ao filme do Drácula de Bram Stoker, Entrevista com o Vampiro ou Penny Dreadful sem chamar muita atenção, rs. Ou seja, um late victorian com ar vampiresco/dark. No meu painel do pinterest juntei dezenas de referências, mas aqui vou colocar só as principais: 


    O desenho que eu fiz no final foi esse abaixo. Depois desse eu ainda desenhei cada peça separadamente para que eu pudesse me guiar na hora de fazer os moldes.



Underwear:


    Como roupa de baixo resolvi usar uma combinação, corset, anágua lisa e bustle pad. Para a combinação minha principal inspiração foi essa ilustração, de um catálogo de 1880s. O corset já falei sobre ele aqui e a bustle pad usei pra substituir o uso de um bustle/anquinha em aço.

     Fiquei completamente apaixonada por essa combinação, veste super bem. Dá vontade de usar o dia todo, rs. 

Vestido



    Chamo de vestido mas são três peças: corpete, saia e sobressaia. A saia preta é um modelo que era chamado de walking skirt (ou saia de passeio, em português), feita em tafetá e com um bolso na lateral. Fiz esse modelo já pensando em usá-la separadamente em outros trajes. A sobressaia (também em tafetá) é do tipo bustle, com a parte de trás presa em fitas pra formar esse drapeado. O corpete é costurado junto com uma camada de brim e tem forro (em percal) e barbatanas. Atrás é fechado por uma amarração espiralada nas costas, assim como era usado na época. 


    Como vocês podem notar o decote e as mangas saíram diferente do planejado.Fiz testes da manga e drapeado do decote com o chiffon preto e não ficou satisfatório, então resolvi fazer sem esses detalhes mesmo, e acrescentei o guipir. 

Acessórios e cabelo:


    Na imagem estão minhas principais referências para o penteado e acessórios. Tinha gostado da ideia de usar uma gargantilha com camafeu então para combinar usei brincos e um anel nessa temática. No cabelo coloquei duas rosas falsas e no braço usei uma pulseira de 'brilhantes'. Para um traje de baile, o ideal seria usar luvas claras porém optei pelas pretas por combinarem mais com o vestido. A capa foi encomendada na Josette Blandchard e a gargantilha é da Empório Anacrônico.

Foto por Valdeir Neto

Resultado final:

Fotos por Cleusa Vargas, Ra Belchior e Cleusa Vargas, respectivamente.

   Fiquei beeem satisfeita com o resultado final, apesar de não ter saído como planejei inicialmente. Realmente só o decote que mudaria, pra deixar mais profundo. Também pretendo acrescentar uma anágua própria bustle para que a saia fique com um caimento ainda mais bonito. De qualquer forma, esse já é um dos meus trajes preferidos e acredito que consegui esse feeling vampiresco que era a intenção.

Principais referências: 

Corpete:
https://www.youtube.com/watch?v=v9kGyZDWZcA
https://www.youtube.com/watch?v=m1z8MXAvM1M
Apostila de modelagem SENAI
Hecklinger's ladies' garments, Charles Hecklinger (livro)
http://augustintytar.blogspot.fi/2013/02/1882-ball-gown.html

Sobressaia:
http://kristinameister.com/2013/05/25/creating-a-victorian-bustle/
http://sewinginwalden.blogspot.com.br/2013/06/ladies-costume-iii-1888.html
The cut of women's clothes, por Norah Waugh
Patterns of fashion, Janet Arnold (livro)
http://historicalsewing.com/tutorials/how-to-make-an-1870s-bustle-skirt

Saia:
The cut of women's clothes, Norah Waugh (livro)
Hecklinger's ladies' garments, Charles Hecklinger (livro)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Austenland: livro e filme

"As coisas não estão indo tão bem, e cada vez que os homens da sua vida te decepcionam, você deixa o Sr. Darcy entrar um pouquinho mais. Talvez você tenha chegado ao ponto de estar tão ligada à ideia daquele patife que não fica satisfeita com menos”



    Pense em uma mulher que já teve diversas frustrações no amor e relacionamentos, e que acaba desenvolvendo uma certa obsessão pela obra de Jane Austen, onde os romances sempre terminam em finais felizes e os homens são perfeitos cavalheiros. Agora tente imaginar que essa mesma mulher tem a chance de passar 3 semanas em um lugar onde ela pode viver todas as suas fantasias regenciais, acreditando que assim se livrará de sua obsessão. Essa é a premissa de Austenland, livro escrito por Shannon Hale. O livro, que chega ao Brasil como Austenlândia tem 240 páginas e é publicado pela editora Record.

    A personagem principal se chama Jane Heyes, uma mulher na casa dos 30 anos e que é o que chamam de solteirona convicta; acredita que está bem sozinha e assim pretende ficar. Acontece que o que poucos sabem é que ela é obcecada por Orgulho e Preconceito e mais especificamente a adaptação feita pela BBC em 1995, com Colin Firth. E essa obsessão faz com que ela se sinta cada vez mais frustrada em seus relacionamentos, já que nenhum homem que ela conhece chega aos pés do Mr. Darcy.

    Porém uma tia que perspicazmente percebeu o segredo de Jane dá a ela uma oportunidade única: passar 3 semanas em Austenland, uma mansão que recria os hábitos da regência (época de Jane Austen), com direito a roupas de época, passeios em jardins e bordados, e que conta com atores contratados para interpretarem os cavalheiros dos romances do início do século XIX. Apesar de inicialmente ficar em dúvida sobre ir ou não, Jane decide pela primeira opção ao perceber que essa pode ser a sua chance de se livrar de uma vez por todas dessa obsessão que está começando a atrapalhar sua vida.

   Quem sabe após viver um romance com algum ator ela não deixa de lado essa história, e passa a prestar mais atenção aos homens da vida real? Então, ao mesmo tempo em que acompanhamos Jane em sua aventura, ao longo do livro ela nos apresenta a todos os seus ex-namorados e porque cada um desses relacionamentos não deu certo.

Minha opinião sobre o livro (spoilers).

    O que eu achei bem interessante nesse livro é como ele foi desenvolvendo esse conceito de realidade versus ficção, já que no começo fica difícil até mesmo para nós leitores distinguir o que é real do que é atuação lá em Austenland. Também é divertido ir percebendo as semelhanças entre algumas partes da história e a obra de Jane Austen. Adorei poder ver o amadurecimento da personagem ao longo da história, que além de ir refletindo sobre sua paixão por um personagem fictício e as expectativas que ela gera, durante a sua estada em Austenland repensa  sua identidade. Algumas citações do livro exemplifica bem esse desenvolvimento:

“As coisas não estão indo tão bem, e cada vez que os homens da sua vida te decepcionam, você deixa o Sr. Darcy entrar um pouquinho mais. Talvez você tenha chegado ao ponto de estar tão ligada à ideia daquele patife que não fica satisfeita com menos” Molly, p. 13

“Não existe Sr. Darcy. Ou, mais precisamente: O Sr. Darcy seria na verdade um idiota chato e pomposo” Jane, p. 130

“Quero ser feliz. Antes eu queria o Sr. Darcy, pode rir de mim e quiser, ou a ideia dele. Alguém que me fizesse sentir o tempo todo como eu me sentia quando via aqueles filmes.” Jane, p.230

“ Srta Hayes, você parou para pensar que pode ter entendido tudo errado? Que na verdade você é a minha fantasia?” Henry Jenkins p.230
(fim dos spoilers)

Filme:



    O filme é divertidíssimo! Eles resolveram investir mais no tom de comédia do livro e acabaram exagerando na personalidade de alguns personagens, tornando-os caricatos. As mudanças que eles fizeram em relação ao livro pra mim só serviram para que a história fluísse menor. Existem só duas mudanças significativas, como (spoiler) o fato de no livro o Henry Noble ser um ator porém no filme ele ser apenas um professor de história, e também a obsessão de Jane, que no livro é escondida mas no filme escancarada (fim dos spoilers)

Citações do filme:

" É um hobby - Jane
  É bizarro - Molly"

"Eu estou solteira porque aparentemente os únicos homens que prestam são fictícios." Jane

(spoilers)
"Você não me irrita. Me deixa nervoso" Mr. Nobley
" Não importa se você é real ou não. Você foi perfeito" Jane
" Eu sou completamente louco por você" Henry Nobley.
(fim dos spoilers)

Concluindo:

    Em resumo: o livro é divertidíssimo, devorei ele em menos de dois dias, não consegui largar. Acho incrível como a autora trabalha a questão da expectativas que romances podem criar versus a realidade dos relacionamentos modernos de uma forma bem descontraída e cheia de humor. Semcontar que o livro/filme é um prato cheio pra quem gosta da obra da Jane Austen ou é revivalista. É o tipo de história que ao terminar você fica querendo mais.